Ótima alternativa apontada por Tiago Canuto

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Prezado Josiel,

Perdi os últimos dias do debate sobre o carnaval e vejo que as opiniões foram
bastante interessantes e proveitosas. 

Sobre o vies econômico na realização do evento carnaval nas pequenas cidades, podemos enumerar alguns fatos: 

Em rápida pesquisa na net, vemos que o carnaval tem se tornado cada vez mais uma indústria que trabalha o ano todo, nas escolas de samba, confecção de fantasias e adereços, preparação de desfiles ou de requintadas festas que acontecem em Olinda e Salvador. O Rio de Janeiro movimenta pelo menos R$ 1 bilhão a cada carnaval, na Bahia as festividades costumam movimentar R$ 600 milhões em negócios a cada ano. Em São Paulo, cerca de R$ 80 milhões são envolvidos durante a festa.

Para as festas citadas acima, o carnaval transformou-se num produto turístico,
que atraem milhões de foliões e que justificam o retorno de um investimento cada vez mais avultado. 

Falta falar que o costume de brincar o carnaval, chamado inicialmente de entrudo, acontece em várias cidades do país e todas dizem que o retorno é sempre garantido – desde que as contribuições vindas da Coisa Pública sejam a fundo perdido, para o bem do turismo local. Para as festividades vendidas internacionalmente como produto turístico de luxo (Bahia, Olinda, Recife, Rio, São Paulo, Vitória, Florianópolis, etc.), predomina fortemente as chamadas parcerias público-privadas(PPP), onde geralmente os Estados, Municípios e União, se encarregam da divulgação do evento e recursos na sua ossada (campanhas educativas, ambulâncias, policiamento, etc.) e os organizadores arcam com o restante. 

No caso das demais cidades, considerando principalmente as do interior, surgem os chamados pólos carnavalescos, aquelas cidades que é destino disputado pelos foliões de determinada região. Nessas localidades geralmente predomina que a Prefeitura é que arca com todos os investimentos para que a festa aconteça e se falarmos em mensuração quanto ao retorno trazido para a cidade fica difícil encontrar dados. 

Bem, deixemos de lado o carnaval e vamos falar em religiosidade. 

Visitei Juazeiro do Norte ano passado e fiquei impressionado com a quantidade

de pessoas atraídas ao mais brabo sertão nordestino, onde o de mais fascinante do lugar é uma estátua do Padre Cícero, considerando santo pelos peregrinos. A economia do local e impulsionada pelo artesanato, principalmente de cerâmica vermelha e pelo setor de serviços que atendem essa multidão de fieis. No meu caso a intenção maior da viagem foi o passeio de moto, mas não há ir ao Cariri Shopping e passar pelas barracas de rua e não voltar pra casa com algumas lembranças do Padim Ciço. Na Bahia foi do mesmo jeito, uma baiana segurou-me pela munheca, começou a orar e a amarar fita, mecheu pra lá e pra cá, quando terminou que eu quis continuar a caminhada e as fotos, ela cobrou o pagamento ou eu teria que devolver a oração e as fitas. Como eu não conseguiria devolver a oração, principalmente porque eu não entendi o que ela disse, o jeito foi pagar uns vinte e continuar o trajeto. Recebi orações e fitas de três baianas, fiquei pendurado de fitas, e o pedágio não foi barato. 

Os fatos acima são para induzir conclusões também de viés econômico e relacionado ao carnaval. 

É sabido da grande população evangélica do país (mais de 20 milhões de

pessoas) e da quantidade de religiosos que vem aumentando a cada ano como o movimento carismático na igreja católica. São de fato pessoas que vivenciam a fé de maneira intensa. Acontece que durante o carnaval elas são as que mais sentem-se incomodadas – o que é festa para alguns, é tormento para outros. Durante os cinco dias de momo, esses que vivem uma religiosidade mais intensa, procuram os chamados retiros espirituais. Um grupo organiza um espaço calmo e reservado, arrecada o que for necessário, e passam o carnaval nesse momento de reflexão.

Se pesquisarmos onde acontecem grandes retiros de durante o carnaval, se existir algum de destaque, é insignificante em relação às opções para os foliões que podem escolher os locais para o entrudo popular. 

Vejo como uma ótima opção, principalmente para as cidades de menor porte como Upanema, desenvolver ao invés de uma festa de carnaval, um grande espaço para retiro espiritual, tendo como ajudas o lema de carnaval da paz, o povo acolhedor e a cidade calma, como estratégias de marketing. 

Não encontramos perspectivas de crescimento para o evento tradicional (o carnaval festa), considerando o alto risco de investimento para o evento devido dependência de saúde financeira da Prefeitura, de condições políticas favoráveis, de necessidade de altas cifras para em infra-estrutura cidades maiores, etc. Realizar o ‘Retiro da Paz’ (parafraseando o Carnaval da Paz) seria de certa forma mais simples de ser realizado: as comunidades religiosas têm experiência em preparar eventos arrecadando recursos (existira uma ppp nesse caso, sendo necessários menos recursos da Prefeitura em longo prazo), os cantores gospel seriam mais baratos no período devido ociosidade da festa nacional, a quantidade de seguranças seria mínimo, a cidade conta com grande população evangélica, etc., e o principal, não há evento similar no região, e olhe lá se no Nordeste – deixando grandes chances para Upanema se tornar líder e modelo desse tipo de evento.

A movimentação da economia da cidade seria e igual ou até bem maior (considerando a possibilidade de grandes públicos) do que na festa de carnaval, casas seriam alugadas, haveria movimentação intensa de mercados, lanchonetes, restaurantes, oficinas, costureiras, lojas de roupas, posto de combustíveis, depósitos de bebidas (água e refrigerantes), etc. 

O cronograma de eventos seria diversificado, temos a Igreja Católica, o Salão Paroquial, a AD com um dos maiores templos da região, a Igreja Batista, o ginásio, o feirão, a praça de eventos, o terminal turístico, etc.; com ecumenismo, todos se uniriam em nome da fé e ai ficava diversificado: oração das cinco em igreja tal, escola bíblica em seguida, culto da mocidade em igreja tal, momento de louvor no ginásio, pregação ali e acolá, etc., que pela falta de referencia de evento igual, seria para impressionar os visitantes. 

Ah, sobre rever os amigos, era só virem todos para o retiro da paz ou combinar outra cidade para se reunirem e realizar sua confraternização.


 
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